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Coleção cápsula: “Clarice”

por | dez 16, 2020 | Cultura, Moda Atemporal, Slow Fashion

Clarice dispensa apresentações. Considerada uma das escritoras mais importantes do século XX,  nasceu na Ucrânia em 10 de dezembro de 1920, mas era brasileira de coração, tendo passado grande parte de sua infância e adolescência em Recife.

A escrita de Clarice é carregada de uma sensibilidade assustadora. Impossível ter contato com algum de seus trabalhos e essa experiência não marcar sua vida. Sua escrita é para ser mais que entendida: sentida.

Nossa coleção cápsula em comemoração ao centenário de Clarice Lispector já está disponível em nosso e-commerce e busca homenagear a mulher incrível que Clarice é com dois modelos: “Banhos de Mar” e “Restos de Carnaval”. Cada modelo leva o nome de uma crônica e um conto da escritora, respectivamente, que se passam no período em que Clarice viveu em Pernambuco e que são uns de meus favoritos!

Clarice “Banhos de Mar”

“Meu pai acreditava que todos os anos se devia fazer uma cura de banhos de mar. E nunca fui tão feliz quanto naquelas temporadas de banhos em Olinda, Recife” 

O vestido Clarice “Banhos de Mar” é inspirado na lindíssima crônica de mesmo nome. Nele, Clarice compartilha, com imensa sensibilidade, um dia de ida a uma praia de Olinda, de manhã bem cedinho, quando era criança. A ansiedade que antecedia o grande dia, o trajeto de Recife a Olinda de bondinho, tudo o que seus olhos de criança viam e seus sentimentos mais puros ao chegar ao destino e no retorno para casa, são de aquecer o coração:

“O cheiro de mar me invadia e me embriagava. As algas boiavam”

“E eu fazia o que no futuro sempre iria fazer: com as mãos em concha, eu as mergulhava nas águas, e trazia um pouco de mar até minha boca: eu bebia diariamente o mar, de tal modo queria me unir a ele”

“No bonde a brisa ia secando meus cabelos duros de sal. Eu às vezes lambia meu braço para sentir sua grossura de sal e iodo”

“A quem devo pedir que na minha vida se repita a felicidade? Como sentir com a frescura da inocência o sol vermelho se levantar?”

Clarice “Restos de Carnaval”

“E quando a festa ia se aproximando, como explicar a agitação íntima que me tomava? Como se enfim o mundo se abrisse de botão que era em grande rosa escarlate. Como se as ruas e praças do Recife enfim explicassem para que tinham sido feitas. Como se vozes humanas enfim cantassem a capacidade de prazer que era secreta em mim. Carnaval era meu, meu”

Clarice “Restos de Carnaval” é inspirado em um dos contos mais lindos e autobiográficos de Clarice. Nele, Clarice lembra de um carnaval quando morava no sobrado em frente à Praça Maciel Pinheiro, em Recife, em que junto à imagem de sua mãe doente, havia também a alegria de uma criança que queria se fantasiar e ir para o carnaval; que queria ser feliz.

“Mas houve um carnaval diferente dos outros. Tão milagroso que eu não conseguia acreditar que tanto me fosse dado, eu que já aprendera a pedir pouco. É que a mãe de uma amiga minha resolvera fantasiar a filha e o nome da fantasia era no figuro Rosa. Para isso comprara folhas e folhas de papel crepom cor-de-rosa, com as quais, suponho, pretendia imitar as pétalas de uma flor. Boquiaberta, eu assistia pouco a pouco à fantasia tomando forma e se criando. Embora de pétalas o papel crepom nem de longe lembrasse, eu pensava seriamente que era uma das fantasias mais belas que jamais vira”

 

Espero muito que você goste dessa nossa coleção cápsula tão especial! Me conta lá em nosso Instagram (@avalovaslowfashion)? 😉

Um cheiro grande,

Vivian

 

 

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